Espaço-tempo-vestimenta para repensar gênero e tecnologia
Começamos como um “grupo de estudos em gênero & tecnologia” formado por mulheres que se encontravam no ip:// (espaço independente de convergência de novas mídias no Rio de Janeiro) em meados de 2005.
Depois nos tornamos g2g, grupo de experimentação em gênero e tecnologia (incluindo áreas como grafitti, música, comunicação comunitária, computação feminina, linguagem inclusiva, feminismo, ciberfeminismo, ativismo e tecnologias de informação e comunicação, ou TICs) e nosso principal canal de interação passou a ser uma lista de discussão da qual foram participando mais mulheres espalhadas em diferentes lugares do Brasil.
Desde o início também tivemos um wiki onde coletamos links e recursos sobre diversos temas relacionados com nossos interesses diversos. Em 2006 o processo de construção do g2g passou novamente a incluir encontros presenciais, primeiro em Recife em outubro durante a submidialogia#2 onde algumas integrantes do grupo organizaram uma discussão pública sobre uma variedade de temas como intimidades, gênero, TICs, parentalidade e corpo digital, e depois em novembro quando algumas integrantes se encontraram em Belo Horizonte durante um par de dias de “imersão” para conversar, aprender sobre drupal, sites… e jogar futebol!
Entre 2007 e 2011 nos encontramos ainda mais vezes, no Fórum Internacional do Software >Livre (FISL), e também no submidialogia #3 e o encontro /etc-br – carnaval eclético tech onde consolidamos laços ainda maiores umas com as outras. Somos mulheres em rede. E estamos em todos os lugares.






















——->>——-// Agregadores
g2g é ser mais um instrumento, ao lado de, ou em contradição com outros, para nos possibilitar uma compreensão cada vez mais clara da realidade que vivemos. Pode ser pensado como um guarda chuva de pessoas e projetos diversos, um agregador e uma interface.
Compartilhamos a identidade e a afinidade g2g mas cada integrante do grupo tem seus interesses pessoais que as vezes se cruzam em ações e produções colaborativas entre nós e também com outros grupos. Não temos compromisso com nenhuma instituição ou orientação política específica, a não ser com a capacidade humana da mutabilidade.
// Interfaces
Trabalhamos com diferentes interfaces, algumas delas públicas, outras privadas (seguras), e algumas delas virtuais, outras presenciais.
Principais interfaces públicas do g2g:
- BLOG
http://interfaceg2g.org
“um espaço-tempo-vestimenta para repensar gênero e tecnologia”, que traz blogs pessoais, um fórum super recheado, noticias por RSS, links, galeria de imagens, vídeos, áudios e muitas outras coisas. Ela existe para que possamos compartilhar as nossas idéias com o mundo e também para que o mundo possa interagir conosco: é uma interface pública de discussão. É necessário fazer um breve cadastro no blog para fazer comentários, isso foi uma política adotada depois de uma enchurrada de spams que recebíamos. Políticas são constantemente discutidas em lista. - Qualquer ação ou atividade que fazemos no espaço público, como participação em ou organização de eventos etc. Pode incluir novas listas de discussão criadas para discutir colaborações como é o caso do /etc e da lista retome a tecnologia.
Principais interfaces privadas do g2g:
- Uma lista de discussão moderada, restrita para mulheres, onde guardamos, compartilhamos e debatemos registros, pautas, idéias e experiências.
Mais sobre o funcionamento da lista de discussão g2g -> http://interfaceg2g.org/node/141
Endereço da lista de discussão -> https://lists.riseup.net/www/info/g2g - Um wiki fechado que chamamos de “entrenós” onde escrevemos e guardamos textos internos do g2g (como logs, propostas, planejamento etc) e aqueles que ainda não estã prontos para serem publicados no site. -> http://interfaceg2g.org/book É necessário ter permissõies de administradora oue ditora para acessar esta página.
- Um canal do IRC onde nos reunimos regularmente.
Como usar o canal de IRC do g2g -> http://interfaceg2g.org/node/142 - Imersões e outros encontros presenciais internos do g2g.
Obviamente os espaços privados são os espaços mais seguros e é muito importante protegê-los. Mas também em se tratar de espaços mais abertos, que são necessários para uma interação mais ampla com o mundo, queremos tentar fazê-los os mais seguros possíveis.
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ESPAÇO SEGURO – TEXTO EM CONSTRUÇÃO COLETIVA
O que é um espaço seguro e o que significa para nós
O espaço seguro, ou “safe place”, é uma tradição que começou com o movimento feminista de criar e proteger espaços exclusivamente femininas, algumas vezes escondidas. Em muitos casos eram para receber as vitimas de violência doméstica mas não somente, também era uma tentativa de construir espaços onde as mulheres se sentiriam à vontade para compartilhar e explorar idéias e sentimentos entre elas num ambiente de confiança mútua. Um exemplo da necessidade de espaços seguros no Brasil são as delegacias de mulheres. O conceito também é usado no contexto da internet e de interações online, pois as mulheres também são vulneráveis nesse ambiente. Reconhecemos a necessidade de um espaço seguro pois queremos que o g2g seja um espaço participativo, no qual nos sentimos seguras de falar e no qual sabemos quem está do outro lado da tela lendo nossas mensagens, muitas delas extremamente pessoais. Saber que estamos num espaço seguro permite um processo de identificação e de diferenciação, de tranquilidade e excitação de vontade de falar e fazer junto. É um espaço de liberdade, privilegiado e protegido, nosso cantinho seguro e tranquilo.
É um lugar onde podemos compartilhar nossas angustias, nossas intimidades, buscar conselhos, debater assuntos polêmicos e constrangedores. É um espaço seguro de convivência, resistência, confiança, compartilhamento, aprendizagem, companhia e apoio mútuo.
Porque precisamos de um lugar seguro?
Pensar e construir o espaço seguro no contexto do software livre, do conteúdo aberto, da cultura livre é algo complexo. Como conciliar os dois conceitos?
O QUE SIGNIFICA SER MULHERES TRABALHANDO COM TECNOLOGIA,
AS DIMENSÕES ESPECÍFICAS DISSO
QUE FAZEM NECESSÁRIO UM ESPAÇO SEGURO.
Mas isso é necessário pois atuar em qualquer espaço público, presencial ou virtual, traz com ele riscos. Como se expor sem ser alvo de maníacos? Como estar à vontade, defendendo aquilo que você acredita, se isso também pode despertar um lado muito ruim nas pessoas?
Do mesmo jeito que as mulheres sofrem violência e preconceito no mundo real, isso também acontece no mundo virtual. Isso pode se manifestar por meio de comentários sexistas ou violentas, muitas vezes muito pessoais, num blog ou site feminista, assédio sexual numa sala de bate-papo ou lista de discussão ou no próprio ambiente de trabalho ou evento tech onde as mulheres tantas vezes são minoria. dado que as jovens feministas tem acesso a tão poucos espaços para analisar o mundo de forma aberta, estamos assumindo novamente o nosso compromisso de tentar oferecer um espaço seguro para nossas leitoras. (sabemos que nunca poderemos oferecer um espaço totalmente seguro, mas isso não significa que não vamos tentar.)”
Princípios do nosso Espaço Seguro
Não reenviar mensagens da lista para outras listas ou fazer crossposts com a lista do g2g e outras listas… e se realmente achar necessário fazer isso, pedir permissão da pessoa envolvida e/ou a lista inteira.Lembre que além das muitas pessoas inscritas nessas outras listas que teriam acesso a discussões particulares do g2g, muitas delas também têm seus arquivos publicamente disponíveis (ao contrário da nossa, que é fechada). Uma lista segura não deve ser exposta desta maneira, sem o conhecimento e consentimento de seus integrantes.
Evitar vazamentos das discussões da lista evitando comentar os detalhes das conversas com outras pessoas que não fazem parte da lista, sem que isso seja consenso do grupo.
Qualquer proposta de convidar ou indicar uma nova pessoa para entrar para a lista deve ser encaminhada para a lista, com uma pequena apresentação de quem se trata, e discutida.
Assumimos o compromisso de dar as boas-vindas para novas pessoas entrando na lista e explicar quais são as nossas interfaces, o que é o espaço seguro e como tudo isso funciona (esse texto pode ser a base dessa explicação).
——->>——-g2g = tics & tags

tudo que comemos contém a potência da germinação. basta guardar as sementes, separá-las, a deixarmos secar ao sol depois de lavadas. algumas gostam de água para iniciar seu processo de floração, outras da terra, mas absolutamente todas necessitamos de bom ar, para germinar. somos tácitas a sons e cheiros. essa é uma história de um coletivo de mulheres, não se sabe bem se por gênero-a-gênero, garota-garota, gata-a-gata mas talvez pelo singelo desejo de coexistir na igualdade, g2g se tornou laço, elo, criou espaços próprios de aprendizado mútuo e coletivo.
porque ainda sofremos as consequências de um modo de pensamento totalitário. e precisamos conversar sobre parentalidade, sexualidade, a opressão tecnocrática ou a gélida carga de violência ancestral de nossos pares. nossos singelos ritos de dor é onde muitas vezes recriamos o amor dentro. creio que nos agrupamos por essas categorias TIC (tecnologias da informação e comunicação) /TAG (categorias, como nomeamos) justamente para desconstruí-las, desenraizarmo-nos colonizadoras, nos apropriamos.
o grupo de estudo em gênero e tecnologia g2g iniciou seus encontros em um espaço de mídia independente chamado ip, na lapa RJ do ano de 2004. tornaram-se o blog interfaceg2g em uma imersão por BH com aproximadamente 9 mulheres. usamos muito de nosso tempo juntas para a construção de um espaço virtual seguro. em uma lista de discussão na internet iniciamos conversas sobre praticamente tudo, de pós-pornô a hardware e software livre, sem possíveis categorias fixas.
aprendemos a hospedar nosso site em um servidor autônomo, administrá-lo (algumas vezes de forma precária, e amadora, leia-se, por amor).
além dos encontros internos ao vivo e em IRC, realizamos oficinas (webdrupal, FISL, Carnaval Eclético Tech com mais de 30 manas em Salvador a caminho do Submidialogia em Lençóis, Oficina Liminar com companheiras da Argentina) quando muitas de nós vimos juntas o sitio pela primeira vez, nos reconhecemos, e maravilhosamente autodidatas tecemos redes orgânicas
texto de tati enviado à lista g2g em dezembro de 2011.
Site desarquivado do Archive.org 12/10/2004


OFICINA GENDERCHANGERS NO BRASIL
Em 2007 Biroska (São Paulo), ip (Rio de Janeiro) e g2g (Pipa) recebem Donna do servidor feminista Genderchangers (Holanda). A oficina materializou a rede afetiva que existia naquele começo de anos 2000 quando abríamos a caixa preta e fazíamos cabos. Instalar Linux era preciso.














































[+] Gêneros, Corpo & @tivismo, Org. Cuiabá, 2012 | Organizadores: Leonardo Lemos de Souza Dolores Galindo Vera Bertoline . “Relatando o Retome a Tecnologia: o ciberfeminismo chegou ao Brasil”. A publicação documenta a campanha Retome a Tecnologia e sua relação entre apropriação das TICs, ativismo e enfrentamento da violência contra as mulheres, por Tori Holms e Tati Wells.
[+] Mutsaz Cunã Org. tati Wells (2012)
[+] Retome a Tecnologia (2011)
[+] Ciberfeminismo: Tecnologia e Empoderamento Brasil, 2018 | Org. Cláudia Mayer
[+] Cartografia Arquivos Táticos: desarquivando parte da produção de arte e internet do Brasil dos últimos 20 anos (2018)
[+] Bucetáticas (2018)
[+] Internet em código feminino (2013)